Chegou o dia… mas eu não pude ir! O meu vizinho inaugurou o seu Bar de Rock, ele inaugurou na sexta, mas eu estava trabalhando… então fui no dia seguinte, no sábado, depois que fechei o Bar Uky… e estava cheio!
Fomos eu e a Carolina, estávamos de preto para combinarmos com o Ambiente que é bacana e característico… tem um palco e uma banda está tocando nele. Uma garçonete veio até nós e pegou o nosso pedido: para mim uma caneca de um litro de chopp, para Carolina apenas uma tulipa, e para comermos: frango a passarinho.
Não conheço a banda, mas tocam bem e diversos covers de bandas conhecidas, como, por exemplo, a Surface Yellowing, a Black Opossum e a inigualável Paper Man… mas tocaram som nacional também, como, por exemplo: Duque Verde, Velho Vespa e El Primo… está eclético com vários estilos diferentes… e então o meu vizinho me viu:
– Ô Seu Arthur, que bom que você veio!
Me levantei para cumprimentá-lo, e ele tem o aperto de mão firme, como tem que ser:
– Oi, Hilly, senta aí… Parabéns, a casa está digna de um festival! A propósito, minha esposa Carolina.
Ele se inclinou cumprimentando-a:
– Boa noite, Dna. Carolina, seja bem-vinda!
– Obrigada, Hilly, parabéns pelo bar, ficou ótimo!
– Poxa, obrigado, pena que vocês não vieram ontem… a banda Minoria Rural esteve aqui.
– Puxa, é mesmo! – falei empolgado – Mas um dos integrantes não tinha morrido?
– Sim, morreu. Mas o vocal da banda Patrimônio Líquido veio e cantou.
– Deve ter sido épico.
– Foi, mas eu gravei, depois a gente assiste. – falou o jovem proprietário dando uma piscadinha – Tenho que ir, espero que vocês se divirtam!
– Claro… nós vamos! – falei empolgado me levantando para apertar a sua mão.
As bebidas chegaram e depois o frango a passarinho, e então alguém mais chegou: o Victor da Yeahh Foods. O pior não é vê-lo, é ele sentar na sua mesa sem ser convidado:
– Olha quem está aqui! Fiquei sabendo o que você fez… empurrou a En-Head como fornecedora para o Hilly, a Yeahh deveria te processar.
– Bem… na verdade, eu indiquei um bom fornecedor para o Hilly. Ele está começando agora, e vai ser péssimo para ele ter um fornecedor que prejudica a imagem dele e a forma dele produzir para os seus clientes… sem contar o equipamento inutilizado. – falei firme porque sei da péssima qualidade dos produtos dele.
– Você não sabe o que está falando!
– Sei sim… e por favor, me deixe em paz, afinal de contas, o meu final de semana acabou de começar.
– Seu final de semana começou agora? Você acabou com uma semana inteira de negociação…
– Não acredito que vocês estão falando de trabalho! – falou Carolina.
– Perdão, mas quem é você? – perguntou Victor.
– Eu sou a Carolina, esposa do Arthur.
– Ah, prazer. – ele falou estendendo a mão.
– Sim, e ele é todo seu. – ela falou balançando a cabeça – Mas de onde você é?
– Eu sou da Yeahh Foods… estava negociando com o Hilly quando o seu marido se intrometeu e acabou com a negociação.
– Com todo respeito, – continuou a minha esposa – o que mais dono de bar faz é: aconselhar os outros!
– Aconselhar ou acabar com os negócios?
– Cá entre nós? Os produtos da Yeahh não são bons, como você prega, inclusive uma vez fomos no aniversário de nossos sobrinhos e eles beberam tanta Yeahh-Cola que arrotaram uma bola de sabão!
– Eu contei essa história para ele, amor… e só foi o Breninho que arrotou a bolha.
– É mesmo? Achei que foram os dois!
– Não, foi só o Breno, eu vi!
– Dá para parar com isso? – falou Victor, como se estivesse bravo por termos deixado ele de lado.
– Mas é verdade… – continuou Carolina – já pensou em mudar de empresa?
– Como? – ele ficou vermelho.
– Ô, Victor, por favor, não é a hora nem o lugar… todos estão olhando para nós. – falei porque estava cansado e para ver se ele se mancava.
Ele olha em volta e fica meio constrangido, então, se levanta e, antes de ir embora, diz:
– Você não perde por esperar.
Eu e Carolina vimos ele se afastar… então veio a pergunta: será que o nosso frango a passarinho é da Yeahh?! Acho que não… porque tem gosto de frango!

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