Dna. Carolina

Olá… vocês estão bem? Então… hoje é domingo e é virada de mês, estamos aqui no Bar Uky para fazermos o famigerado: Balanço. Oh servicinho CHATO! Tem que contar tudo para depois fazer a planilha e enviar ao contador… então estou aqui no meu computador passando as quantidades de produtos para uma planilha. A maioria do pessoal já está lá embaixo aguardando, porque eu pago o almoço para os que deram uma força… em algum dos nossos vizinhos. Então estou na sala com a Maria Flor, para terminar esse arquivo… foi aí que aconteceu a pior coisa do mundo: o computador baixou uma atualização e não queria mais trabalhar, queria atualizar… fazer o que? Pedi para atualizar, e veio a mensagem: que levará até dez minutos e ele poderá reiniciar várias vezes. E neste instante, a gente entende que não serão só dez minutos. Então lá estávamos nós dois, eu e Maria Flor esperando o computador dar sinal de vida… enquanto esperava, ela olhava a prateleira de livros e viu uma foto: Carolina, minha esposa, comigo… e Maria Flor perguntou:

– Seu Arthur, quando o senhor conheceu a Dna. Carolina?

– Faz tempo, na época da faculdade… eu estudava Gastronomia e ela Psicologia.

– Puxa, é mesmo? Ela atende?

– Não, ela dá curso de liderança nas empresas.

– Que legal.

– Mas como foi que vocês se conheceram?

– Foi num intervalo… para variar estávamos na fila da cantina.

– O senhor estava na fila da cantina? Por que o senhor não levou o próprio lanche?

– Sinceramente… não lembro porque, mas deveria estar enrolado no meu estágio. E lá estava eu, esperando a fila andar… e a Carolina estava reclamando no balcão, porque ela havia pedido uma refeição e o bife dela era um pouco mais grosso, ela falava que estava cru por dentro. O rapaz do caixa não queria resolver e falava para ela sair, e ela não saía e ficava brigando com ele… e acabou que ele não atendia ninguém e não resolvia o problema dela.

Maria Flor não piscava:

– A aula estava prestes a começar e todos da fila começaram a reclamar, então eu olhei para o rapaz do caixa e disse: Aí, rapaz, por que você não faz direito o bife dela? Se está um pouco maior, é só dividir no meio e selar a carne. Então o rapaz teve a pachorra de perguntar: “Dividir como?” Então fui lá e mostrei, fui para o outro lado do balcão, vesti um par de luvas, pedi licença para a Carolina, e peguei o bife do prato dela, e com uma faca que estava logo ali, eu abri o bife no meio, selei e devolvi para ela dizendo para o rapaz: “Viu, é assim que se faz!”, e ele disse: “Oh, você é folgado!”, e eu respondi: “Não, sou da turma de gastronomia, agora atende logo todo mundo que a aula vai começar!”.

– Puxa, Seu Arthur… e depois?

– A turma da fila começou a gritar: AÊÊÊÊ… virei herói da faculdade por um tempo. E o engraçado que, no meio da farra, não tinha percebido que a Carolina não parava de olhar para mim. Eu voltei para a fila e, depois de um tempo, ela veio falar comigo, agradeceu e me deu um papelzinho com o nome e o telefone dela.

– Que legal! – os olhos de Maria Flor brilhavam – E depois? O senhor saiu com ela?

– Saí, fomos num barzinho… e ela achava engraçado quando eu ficava dando pitaco nas receitas do bar para o garçom.

– E depois? – ela perguntou rindo.

– Começamos a namorar, e casamos depois de cinco anos.

– Puxa que legal… desculpe intrometer, é que nunca vi o senhor falar, mas vocês tiveram filhos?

– Não tivemos… a Carolina focou na carreira e eu estava começando com o Bar Uky, e era tanto serviço que nós dois deixamos para lá.

– Entendi… e como foi o casamento?

– Foi um casamento simples numa capela… só havia alguns amigos e parentes. Depois fizemos um almoço num restaurante legal. Infelizmente ele fechou há alguns anos.

– Que pena.

– É mesmo… mas temos as fotos, qualquer hora eu te trago para ver.

– Ah, obrigada… vou querer ver mesmo!

E o computador voltou a funcionar e continuamos com a tarefa. Na verdade, esperamos uns quinze minutos, para terminar o arquivo em dez… e assim que terminamos, demos uma revisão nele e enviei o e-mail para o meu contador… PRONTO, hora do almoço. E assim que descemos, Carolina estava conversando com Tonhão e Malvino. Ela sorriu ao me ver, veio até mim e demos um beijinho. Carolina perguntou:

– Onde vamos almoçar?

– Que tal na churrascaria que está a três quadras daqui?

– Eu gosto de lá, porque tem salada.

Virei para o pessoal e perguntei:

– Vocês concordam?

– Sim! – responderam todos juntos… e claro que concordam, é comida para valer e sou eu quem vai pagar!

Então Carolina vê Maria Flor:

– Oi, Flor, você está bem?

– Oi, Dna. Carolina, tudo bem e a Senhora?

– Estou bem… para de me chamar de Dona e Senhora que eu me sinto velha!

– Pode deixar… o Seu Arthur estava me contando quando vocês se conheceram.

– Mesmo? Naquele tempo ele era um pouco diferente… ele te contou que quase jogou uma cadeira no caixa da cantina da faculdade?

– Não… isso ele não contou! – falou Maria Flor com uma face de dúvida e riso.

Imagem Gerada com IA

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