Mais uma noite de quarta chegou… o mais fascinante do meio da semana é que dá para ver o final dela. E por causa disso, uma galera fiel de sexta sempre está por aqui na quarta. Mas tem um rapaz, sentado bem em frente… e ele é muito familiar… PUTZ, sei quem é! É o Caipirinha! ! !
Para quem não sabe, ele é um ótimo conselheiro… na outra vez que ele veio, estava aconselhando um amigo que se relacionava com a filha de um mafioso… o que será que aconteceu com aquele rapaz? Pode ser que eu saiba hoje… e ele está com uma garota. Será que é um encontro?! Vamos ver… ele pediu uma caipirinha, óbvio, e ela um martíni doce:
– Fiquei sabendo que você é um bom conselheiro.
– Mesmo? Quem te disse?
– Um passarinho me contou. – ela respondeu com um sorriso no rosto.
– Ahh, sei que pássaro é esse… ele migrou com medo de entrar em extinção.
CARACA… será que estão falando do outro rapaz?!
– O que aconteceu para você precisar de um conselho?
– Eu estou numa empresa que é uma bagunça… parece que ninguém leva o trabalho a sério.
– Mesmo?!
– É… outro dia, os garotos que são auxiliares administrativos… estavam badernando com uma xícara de café com sal. Eles deixavam na mesa dos colegas para verem se beberiam.
– Moleques fazendo molecagem. Eles deram para você beber?
– Não deram!
– Ótimo, você queria que te dessem?
– Claro que não, que diabos de pergunta é essa?
– Sei lá… achei que você queria se enturmar.
– Não… estou querendo dizer da bagunça sem limite, nenhum chefe pegou no pé deles até agora.
– Você falou alguma coisa para alguém?
– Não, não falei.
– É capaz da chefia nem saber… você tem medo de ficar com fama de dedo duro?
– Para com isso… eu só quero trabalhar em paz!
– Então, você deveria ter falado com alguém. Por que você não falou?
– Porque sei que ninguém vai ouvir.
– Você já tentou falar com alguém?!
– Não!
– Na boa… você está pisando na bola!
– Pisando na bola? Eu não sou obrigada a isso!
É, ela está mesmo pisando na bola… a questão não é delatar, é ter um ambiente saudável para todos, só ela e os garotos que trabalham na empresa? Acredito que não, então se ela quer um ambiente bom, ela tem que lutar por ele, não é?!
Eu vi na expressão do Caipirinha que ele queria ir embora, e se eu estivesse no lugar dele, quereria o mesmo. Quando olhei do meu lado direito, Malvino já estava lá e ele disse:
– Patrão, essa menina é folgada, não é?!
– É, Malvino, mas relaxa, vamos ver o que o nosso amigo vai fazer.
Caipirinha olhou bem para ela, e disse:
– Outra opção é pedir as contas e mudar de emprego!
– Pedir as contas? E os meus direitos?
– Não sei… você tem que pensar o que é mais importante para você! – falou o rapaz sem saber o que dizer.
– Me parece que você foi superestimado!
– Eu superestimado? Se fosse você no meu lugar para te dar um conselho, o que você diria?
– Ahh, eu não sei.
– Então é interessante você descobrir primeiro o que você quer!
Caipirinha terminou de beber a sua caipirinha e foi até o toalete. Na volta, ele conseguiu vir até o caixa e disse:
– A minha parte da conta, por favor!
Eu olhei para ele e perguntei:
– UÉ… vai embora e vai deixá-la aí?
– Chefe, estou vendo que ela me trará desgosto… vou pagar e ir embora de fininho. Não preciso de amigos que nem ela.
– Desculpe perguntar, mas o seu amigo que namorou a filha do Don Parmanito, ele foi embora?
– Foi, os dois se mudaram de país… o pai dela começou a pressionar ele, e eles fugiram.
Nessa hora Malvino disse:
– É, não dá para confiar em bandido.
Meia hora depois, a menina Martíni chamou por um garçom e pediu para que alguém fosse no banheiro para ver o Caipirinha. Neste instante, eu me dirigi até ela e disse:
– Oi, moça, o seu amigo já foi embora.
– Já foi embora? Que pilantra… e agora?! Quem vai pagar a minha conta?!?!?!
Nessa noite, Tonhão teve uma auxiliar a mais.

Imagem Gerada com IA
