Lição de Casa

Boa noite, tudo bem com vocês? A esposa do meu irmão, Daniela, apareceu aqui com os meu sobrinhos, Breno e Bruno… ela pareceu com a expressão apressada:

– Arthur, preciso da sua ajuda! Não consegui alguém para tomar conta dos meninos, você pode me ajudar?

– Oi, Daniela… claro que posso!

– Obrigada… tenho hora marcada no médico, estarei de volta em menos de duas horas.

– Fique à vontade, eu me viro com os meninos, – eu olhei na direção deles – é ou não é, rapaziada?!

– É isso aí, tio! – responderam os dois juntos e felizes.

– Eles têm lição para fazer, então não vão atrapalhar muito. – informou Daniela.

– Pode deixar… eles farão a lição.

– Mais uma coisa, não dê nada gelado para eles… estavam gripados até semana passada!

– Claro… seu pedido é uma ordem.

Ela agradeceu e saiu, felizmente havia espaço na minha mesa, então os deixei fazendo as suas tarefas… desci para pegar um suco de laranja para cada um… e sem gelo. Chegando no térreo me deparo com Maria Flor:

– Seu Arthur, os seus sobrinhos estão aqui?

– Estão, Flor, você quer ir vê-los? Estão lá na minha sala.

– Eu posso subir?

– Claro que pode.

Fui ver o suco e ela subiu as escadas. Dez minutos depois, eu estava chegando na sala, quando a vi, brincando com as bochechas dos dois e os dois com cara de poucos amigos… e ela falava com eles com aquela voz de bebezinho, e o Breno ao me ver disse:

– Ô tio, qual é o problema dela?

– Oi, Maria Flor, sei que você está se divertindo… mas é bom deixar eles fazerem a lição de casa.

– Ok, desculpe, meninos… é que vocês são muito lindinhos. – e ela desceu em seguida.

Bruno perguntou:

– O que acontece, tio, para ela fazer isso na gente?

– Nada, meninos, é que vocês são novinhos e às vezes o instinto maternal das moças aflora, mas vocês viram que não têm que se preocupar com ela, não é? Ela gosta de vocês. – falei entregando um copo de suco sem gelo para cada um.

– A gente sabe, tio, – começou o Breno – é que às vezes é chato.

– Rapaz, você está reclamando agora, mas um dia você reclamará que ela não fará mais isso… bom, vamos voltar à lição de casa?

Os dois tomaram um pouco do suco e voltaram às suas tarefas… meia hora depois dei uma descidinha no salão. Fiquei por uns vinte minutos no caixa e, quando voltei, escutei os dois papeando:

– Bruno, o que a Dominique falou para você no recreio?

– Ela disse que a “Menina do Casaco Amarelo” apareceu no parquinho perto da casa dela.

– É sério?

– Ela diz que é… mas, ainda não viu a menina.

– Garotos, que história é essa do casaco amarelo?

– Não, tio, é a Menina do Casaco Amarelo… ela aparece nos parquinhos para brincar de esconde-esconde, e quando o sol se põe, ela some. – explicou Breno.

– Quem disse essa história para vocês?

– Foi a Dominique. – respondeu o Bruno.

– Vocês ainda escutam o papo dessa menina?

– Ah, tio, ela é a nossa colega da escola, ela sempre está brincando com a gente. – falou o Breno.

– E que mais ela disse para vocês?

– Tem o Fantasma da Biblioteca também. – respondeu o Bruno.

– E qual a história dele?

– Que ele faz “PSIU” na biblioteca se você não fica quieto. – Breno disse todo entendido.

– Puxa, deste eu gostei… então é bom vocês voltarem para a lição, porque ele pode aparecer por aqui.

– Tio, ele só fica em bibliotecas. – lembrou o Bruno.

– É, rapaz… pode ser que um primo dele esteja aqui no Bar Uky.

– Um primo dele? – perguntaram os dois ao mesmo tempo.

– É… uma vez veio um rapaz aqui e ele sentou no balcão no lugar mais distante, e ele pediu um copo de bebida e foi servido. E ele ficou lá, por um bom tempo… na hora de fechar o bar, ele não estava mais lá, a bebida ainda estava no copo. E ao lado dele uma moeda suja de terra.

– Isso aconteceu, tio?

– Claro… e se eu fosse vocês, começaria a fazer a lição, porque ele vai trazer o primo dele para fazer “psiu”.

É… vocês sabem que isso não aconteceu, alguém contou essa história num dia que teve tempestade, mas o importante é que eles voltaram a fazer a lição… melhor assim, não quero a Daniela brigando comigo por não terem feito os seus deveres.

Na hora que estavam indo embora, escutei Maria Flor perguntando para a mãe deles:

– Posso casar com eles?

Imagem Gerada com IA

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