Os Valentões

Há três tipos de opiniões a respeito de segundas-feiras. A primeira é totalmente pejorativa, onde odeiam esse dia. Essa opinião é dada pelas pessoas que curtem um final de semana intenso e se entristecem ao vê-lo terminar e tendo que voltar às responsabilidades da semana. A segunda opinião é dada pelos workaholics, que não esperavam a hora de ver a semana começar para voltarem à sua rotina de trabalho e negócios. E depois temos a terceira opinião, que é: tanto faz. Eu faço parte do segundo grupo, embora eu goste de curtir o final de semana… mas essa segunda está meio fora de prumo…

… houve uma briga pesada quase em frente da pastelaria do Marião. Malvino estava indo para apartar, quando viu um carro da polícia se aproximando. Ele parou do nosso lado da calçada para observar, então depois que os policiais desceram do carro, pude ver ele recuando e voltando para dentro do Bar Uky, dizendo:

– Patrão, lembra do meu ex-capitão?

– Lembro!

– Ele é um dos que saiu da viatura.

– Sei… vamos ver o que acontece.

O capitão desceu já botando banca, apontando para os dois homens que brigavam… falando bravo:

– Que bagunça é essa?! Qual é que é? Vocês querem ir presos?

Então o inesperado… uma lata de lixo voa na cara do capitão. Malvino vê a cena incrédulo, enquanto todos os soldados da equipe do capitão sacam as suas armas. E neste instante, todos em volta saem correndo em desespero… inclusive alguns atravessam a rua sem olhar para os lados, isso faz os carros pararem de forma abrupta, quase aconteceram alguns atropelamentos e dois carros quase bateram, por sorte não aconteceu nada, só o susto. Felizmente!

Malvino resolveu ir na direção da equipe da polícia, chegou com as mãos levantadas se aproximando, alguém da equipe reconheceu ele… conversaram por alguns minutos e ele voltou:

– Patrão, o senhor pode dar uma garrafa d´água, por favor?

– Uma só? Leve umas cinco!

– Não… é para o capitão.

– Tudo bem, leve para os demais da equipe também.

Malvino pegou as garrafas e levou para os policiais, quinze minutos depois uma ambulância chegou e auxiliaram o capitão. Aquela cena deu o que falar durante semanas aqui na vizinhança. Alguém gravou e apareceu no noticiário da TV.

No dia seguinte, pela manhã, a equipe da corregedoria estava por aqui e conversaram com o Malvino. Ele deu os detalhes que viu durante a bagunça… de tarde, veio a polícia científica e deram uma olhada onde ocorreu a agressão, e logo foram embora.

Eventos pontuais nos chamaram a atenção depois desses dias, fazendo todos nós esquecermos do que ocorreu… até que, num sábado, ele apareceu por aqui, o tal capitão. Chegou com a parte inferior dos olhos roxos, olhando em volta e, quando viu o Malvino, foi na direção dele com a cara brava:

– O que diabos você disse para a corregedoria?

Malvino olhou meio perdido e meio com espanto:

– O que? Não sei do que você está falando!

– Não se faça de desentendido! O que você falou para a corregedoria?

– Eu falei o que está no relatório. Você não leu?

– Li e achei um absurdo o que você disse!

– Absurdo? Mas é a verdade! Você chegou gritando para impor ordem, e levou uma lata de lixo na cara, simples assim. Por que da estranheza?

– Estranheza? A Corporação está me reavaliando por causa do seu depoimento.

– Lamento por isso, capitão. Mas o que eu falaria?

– Não sei o que você poderia falar. – falou o capitão furioso.

– Se o senhor não sabe, eu sei… a verdade! E foi isso o que falei. Não minto para ninguém, muito menos para o senhor.

– Como? Você é louco por falar assim comigo!

– Capitão, essa é a verdade!

O capitão ficou com uma expressão mista, querendo brigar, mas também não sabendo o que fazer, então disse:

– Malvino, você não perde por esperar! – e foi embora.

Geralmente é o Malvino que vem para falar comigo, mas desta vez fui eu quem foi ter um minuto de proza com ele:

– Malvino, o que foi isso?

– Chefe, ele fez as coisas de qualquer jeito e agora está pagando por isso… imagine se eu minto e sou pego na mentira. Como fica a minha credibilidade?!

É, o Malvino está certo… é ruim quando perdemos credibilidade por mentiras:

– E agora, o que você pretende fazer?

– O certo é eu ir falar na corregedoria que ele veio aqui me confrontar, e provas é o que não faltam. – ele terminou falando mostrando o seu celular.

Imagem Gerada com IA

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