O dia estava tranquilo… até que, no começo da tarde, percebi o pessoal fofocando. Até Maria Flor que é focada no serviço estava com os garçons conversando, fui até eles pelo balcão ouvir o papo:
– Vocês viram? Vai ser enorme?
– Sim, vai ter palco!
– Vai ter local para dançar?
– Não sei… mas tem uns três por cinco metros livres na frente do palco.
– Mesmo?! – perguntei interessado – O que é tudo isso?
Todos pararam e o Magro disse:
– Então, chefe, vão abrir um bar novo aqui nas redondezas! Lá onde era o Mercado Requente… ele vai ter palco.
É, aquele mercado era maior que um mercadinho e menor que um supermercado… vai ser um belo bar, então continuei:
– Eles já estão pegando garçons?
– Estão, chefe!
– Legal… e algum de vocês já estão pensando em trabalhar lá?
– Não, chefe… pelo jeito aquele lugar vai ser bagunçado.
– Certeza? E aqui não é bagunçado?
– Não, chefe… aqui é como um relógio!
Sei… aposto que metade deles já foram ver salário, benefícios e qualquer outra coisa interessante. Vamos falar a verdade, eu faria o mesmo!
– Ok, então vamos voltar a trabalhar, não é?
– Certo, chefe!
Voltei para o caixa… e depois fui para a minha sala, e Maria Flor apareceu por lá e disse:
– Sr. Arthur, o bar novo é um Bar de Rock!
– É mesmo? Por isso que eles falaram que lá é bagunçado… e os garçons não gostam de rock.
Uma semana depois, um rapaz alto, com cabelos compridos e todo de preto apareceu por aqui para almoçar. Na hora de pagar, ele disse:
– A comida daqui é boa… ouvi falar muito bem do Bar Uky.
– É, somos esforçados. – falei para o rapaz.
– Você pode me chamar de Hilly… – que nome é esse, tá com cara de apelido – … eu estou abrindo um bar aqui perto.
– Prazer, meu nome é Arthur… você está falando do bar de rock, não é?!
– Isso, Seu Arthur, vamos abrir daqui um mês… depois mando alguns convites para o senhor. O nome da minha casa será: Templus Bar!
– Olha, é um nome bacana! Vai ser um prazer conhecer. Qual será o horário de funcionamento?
– Será a partir de quarta-feira até o domingo, das dezoito horas até as três da manhã.
– Legal… posso saber quem são seus fornecedores?
– Os principais da região.
– Você não está comprando da Yeahh Foods, está?
– Não comprei nada ainda, mas estamos conversando!
– Poxa, não compra da Yeahh, você vai dar um tiro no pé. – vixe, olha rimou!
– Por que o Senhor diz isso?!
– Rapaz, eu perdi equipamento por causa desse pessoal! Você está conversando com a En-Hed Coop?
– Já ouvi falar deles… eles são bons?
– Eles são os melhores e a negociação deles é dentro das nossas necessidades, além dos produtos serem de qualidade. Pera aí, não vá embora… – fui até a minha sala pegar o cartão do pessoal do Departamento Comercial. Entreguei para ele e continuei – … liga e conversa com eles. Você sabe, a qualidade da matéria-prima interfere diretamente no nosso desempenho.
– Obrigado, Seu Arthur.
– Por nada, foi bom te conhecer, Hilly.
– Eu digo o mesmo. – ele balançou a cabeça e saiu do salão.
Voltei para a minha sala logo depois que ele saiu, e mandei um e-mail para o Dário, o chefão da En-Hed, com o pouco que eu sabia do Hilly, para eles também entrarem em contato… se depender de mim, a Yeahh não prejudica ele.

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