Conselhos

Vocês já perceberam como a semana está passando rápido… a segunda chega, e quando vamos ver já é final da terça escorregando para a quarta, com a quinta morrendo na sexta… sábado… domingo… e começa tudo de novo! É bizarro até para mim!

Ouvi um papo diferente nesta última terça, no começo da noite vieram dois rapazes… um pediu uma caipirinha com vodka, o outro pediu um negroni… a vida dele deve estar muito amarga para pedir esse drink. De petisco pediram queijo parmesão e frango a passarinho. Quando as bebidas chegaram, o do negroni disse:

– Rapaz… eu preciso de um conselho.

– Um conselho, você?! Você é que costuma aconselhar a galera… mas beleza, o que você precisa?

– Então… saí com uma garota, o nome dela é Anna. Saímos para jantar, para dançar… fomos para algumas festas juntos…

O “caipirinha” estava olhando feliz para o “negroni”, e eu também ficaria feliz, poxa, ele está fazendo tudo certo para ficar com a princesa!

– … até falaram na festa que a gente combina. Apresentei-a para os meus pais, meu pai me falou: “Rapaz, que moça é essa?… casa logo com ela!”.

Os olhos do amigo brilhavam pela história bonita do “negroni”, e ele continuou:

– Então, faz duas semanas que tivemos um momento de intimidade, e foi bom. Depois, quando estávamos juntos abraçados, ela me fala a verdade!

– Verdade? Ela é casada?

– Não… pior!

– Pior? – perguntou o “caipirinha” – se ela não é casada… ela é separada e ainda mora com o ex.

– Não.

– Ela tem uma tatuagem esquisita… ou com o nome do ex.

– Não.

– Ela tem uma mecha de cabelos de todo mundo que ela se relacionou, e já pediu a sua… vou lá saber o que ela te disse? Fala logo, cara!

– Ela é filha… do Don José Parmanito.

– Parmanito?… – o “caipirinha” ficou de boca aberta olhando com assombro para o amigo, e quando olhei para o meu lado direito, Malvino estava lá, ao lado do meu caixa. Aproveitei e perguntei:

– Malvino, quem é este Parmanito?

– Patrão… é só o maior mafioso da cidade.

– Eita, quanto será que ele calça? Acho que vai ganhar um par de sapatos de concreto.

– Ou um paletó de madeira. – terminou o Malvino.

Enquanto isso, o “caipirinha” olhava incrédulo com a boca aberta para mesa, enquanto o garçom deixava o pedido dos petiscos sobre ela. Então voltou a falar:

– Me fala mais… que conselho você quer?

– Então… o que eu faço? Porque eu a amo e não quero perdê-la. – respondeu o “negroni”.

– Rapaz… sei lá. Para quem mais você falou isso?

– Só para você! – e para mim e o Malvino… e agora para vocês também!

Neste instante Malvino, já estava dentro do balcão do meu lado esquerdo… não perdia nada, e o “caipirinha” tentando ser útil:

– Cara, se eu fosse você, mudaria de cidade!

Como assim “Mudaria de cidade?” Tem que mudar de país… ou iria para um lugar que poucas pessoas conhecem.

– Eu não posso fazer isso, não tenho como começar de novo… ela me contou que o pai dela descobriu a meu respeito, e agora deseja me conhecer.

O amigo cobriu o rosto… Malvino cobriu o rosto… quanto a mim, bem, quase peguei uma dose de whisky. O amigo se recompôs e disse:

– É… eu acho que você não vai poder falar dela para todo mundo. Outra coisa, você pode se tornar alvo do pai dela, dos inimigos do pai dela e da polícia, você está preparado para isso?

O “negroni” olhou para cima com a cara pensativa, e o amigo retornou:

– É bom deixar claro que você está com ela porque gosta dela… aliás, ela trabalha nos negócios da família?

– Não, ela é psicóloga… e atende com o sobrenome da mãe.

– Legal… isso é muito bom! Ela frequenta a casa do pai?

– De vez em quando… não é sempre.

– É, se eu fosse você, ficaria longe da família dela. E nada de favores ou dinheiro emprestado. E se a coisa ficar esquisita, caia fora, você tem o que perder.

Olha só o “caipirinha” deu uns conselhos bons… enquanto isso, o Malvino só ficava de olho, até que ele olhou para a rua e ficou prestando atenção nela. E eu comecei a fazer o mesmo, e percebi um cara, mal-encarado olhando para dentro do bar… Malvino passou por trás de mim e foi até a porta da entrada do bar, ficou olhando para o esquisito, por um minuto… dois minutos… cinco minutos… então o cara foi embora.

Malvino voltou para o meu lado e disse:

– É… uma história estranha acompanhada de uma situação esquisita.

– Percebi.

Os dois terminaram de beber e comer, pediram uma água, enquanto conversavam assuntos aleatórios. E na hora de ir embora, eu sugeri:

– Aí, rapaz, não vá a pé… peça um táxi.

O “caipirinha” disse: “Boa ideia”, eu liguei para o telefone do ponto aqui nas vizinhanças e um taxista conhecido chegou, e os levou embora… é, não vou dar sorte para o azar.

Imagem Gerada com IA

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