Hoje é dia de bife a rolê e vocês não vão adivinhar quem veio aqui almoçar! O Carlos, filho do Marião, dono da pastelaria do outro lado da rua. Ele sentou a mesa e ficou olhando para o celular, quando ele olhou para frente, adivinhem quem ele viu com um sorriso esquisito olhando de volta para ele? Sim… EU mesmo! E fiz a pergunta que sempre faço quando ele vem aqui, já que ele trabalha numa empresa que desenvolve IAs e robôs:
– E aí, Carlão? Quando terei o meu primeiro cozinheiro cibernético?!
– Oh, Sr. Arthur… sabe que a minha mãe pergunta a mesma coisa?
– Eu sei, ela disse a última vez que veio aqui… é que pessoas inteligentes pensam parecido. Me admira o seu pai não querer um fritador de pastel digital.
– É que tem coisas que meu pai gosta de fazer ele mesmo.
– É, eu sei, mas e aí? Você não respondeu a minha pergunta, que é a mesma da sua mãe.
– Vai demorar um pouco, principalmente porque eu mudei de departamento.
– Como assim, mudou de departamento?
– É, estou no Departamento de Saúde e Acessibilidade… estou num projeto para deficientes físicos voltarem a andar.
– Como é? Conta mais? – poxa, não é todo dia que ouvimos um assunto desses, não é?
– Estou desenvolvendo um exoesqueleto para que pessoas com deficiência de locomoção possam voltar a andar e ter uma qualidade de vida melhor.
– Conta mais!
– É um equipamento médico… uma estrutura em forma de esqueleto que é vestível. Ele dá suporte, estabilidade e força para o paciente que não tem capacidade de andar por lesões na medula espinhal, derrames ou alguma condição neurológica. Ele vira uma extensão do corpo, unindo a mecânica e a computação. Ele descobre quando o paciente dará um passo, e conta com sensores espalhados nele para detectarem inclinações do tronco, onde o peso está distribuído e até sinais elétricos fracos da musculatura de quem usa. O microcomputador que faz a mágica acontecer, ficando nas costas do paciente, recebendo as informações em frações de segundo e realizando o calculo para determinar o movimento, mantendo equilíbrio para dar o passo. Pequenos motores fazem tudo isso funcionar… estão nas articulações, nos quadris e joelhos. Fazem a força física pesada, levantando as pernas e empurrando o corpo para frente. A estrutura é de materiais leves e resistentes, poupando as baterias que são recarregáveis, e que duram por horas.
– Rapaz… isso é muito bacana! – já sabemos quem fará o manual de usuário.
– Realmente é, estou esperando o Reitor e o Diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Aurora para fazermos uma parceria… vamos emprestar três esqueletos para a Universidade, além de treinar os alunos para poderem utilizar juntos ao Hospital Escola, com os dados que eles levantarem, podemos melhorar o equipamento.
– Isso tudo é muito bacana… mas me fala uma coisa: o preço para o usuário final.
– Ele ainda tá caro… mas já foi muito mais. Acredito que com a produção em massa e economia de escala, barateará com o passar do tempo… tipo a versão 3.0 será mais em conta que a versão 2.0 e 1.0!
– Tomara, rapaz… de onde vem o investimento para desenvolver essa tecnologia?
– Ih, Sr. Arthur… se eu falar o Senhor não vai gostar.
– Mesmo?!
– Mesmo!
– Mas fale… não me deixe no vácuo!
– Não posso… temos contrato de confidencialidade.
É… a coisa ficou séria!

Imagem gerada com IA
