É… a tarde passou e a noite chegou! Vocês estão bem? Aqui estávamos na mesma, foi quando um ser lendário apareceu por aqui: o Jeberitti. Ele chegou e sentou no balcão e ao me ver, puxou papo:
– Oi, Sr. Arthuri, tudo bem com o senhor?
– Tudo bem, e com você Jeberitti? – de onde ele tirou esse “i” no meu nome?!
– Comigo? Tudo bem… sabe o que quero beber? Aquela bebida da “Fada Verde”!
– O que? Você quer beber absinto?
– É, eu quero!
– RAPAZ… você quer acordar em outra cidade?
– Eu aguento, eu aguento!
– Então tá! – fui lá pegar a colher e os apetrechos.
Peguei o copo largo, a colher furada, o torrão de açúcar… e a água bem gelada. Coloquei a bebida no copo, depois coloquei a colher com o açúcar e comecei a despejar a água lentamente sobre o torrão, nesse instante Jeberitti disse:
– Pouca água, por favor!
– Certeza, homem?
– Sim, claro!
A bebida começou a ficar turva e leitosa… o açúcar dissolveu e dei uma mexida gentil no drink, e a entreguei para ele, que agradeceu e já bebeu metade do copo:
– Jeberitti! Vai com calma, sinta o paladar da bebida, assim não tem graça de beber!
– Está tudo bem, Sr. Arthuri! – e ele bebeu a segunda metade numa vez só.
Dei uma garrafa de água para ele assim que ele virou o copo… Ao ver o líquido, ele disse:
– Não precisa!
– Precisa sim, você tomou uma bebida forte… você precisa comer alguma coisa!
– Tem parmesão?
– Claro que tem!
– Por favor, peça uma porção para mim.
O queijo chegou cinco minutos depois, e comecei a falar com ele:
– Ô Jeberitti, você não pode beber assim! O teu fígado vai dar “Perda Total”!
– Está tudo bem. Sr. Arthuri, depois do que eu vi, eu tenho que beber para esquecer!
– Esquecer o que, homem?!
– Outro dia, Sr. Arthuri, eu fui chamado para resolver o problema de uma banheira entupida… era na cobertura de um prédio.
– O Senhor estava sozinho?
– Não, estava com o meu ajudante, o Marquinhos… nós subimos e a empregada, velha com cara de brava usando luva de borracha até os cotovelos, mostrou a banheira, que mais parecia uma piscina de tão grande!
– É mesmo? Quantas pessoas cabem nela?
– Acredito que cabe umas doze pessoas, Seu Arthuri…
– É uma jacuzzi?!
– … que seja, Seu Arthuri! Resolvi investigar e percebi que saía cheiro de peixe do ralo. Pedi para o Marquinhos pegar a sonda de desentupir, coloquei no ralo, e girei, girei e girei… e quando tirei, não é que saiu um monte de escamas de peixe. Despejei água no ralo, e vi que ainda estava entupida. Coloquei de novo a sonda, e voltei a girar, para tirar mais e mais escamas de peixe. Até que uma hora acabou… o pior foi o cheiro. A empregada veio reclamando que nós havíamos sujado a banheira, mas tem culpa eu, se o ralo estava sujo… ela trouxe desinfetante e eu e o Marquinhos despejamos no ralo para tirar aquela catinga, e a empregada não parava de reclamar de nós, inclusive ela trouxe um saco de lixo para nós limparmos a banheira… despejamos uma meia dúzia de bombona daquelas de cinco litros do desinfetante e depois limpamos a banheira. O fedor sumiu, e sabe quem apareceu, a dona do apartamento… alta, bonita e curvilínea, Seu Arthuri. Na hora que a vi, disse para o Marquinho: “vamos levar a sujeira para a lavanderia para dar privacidade para a proprietária”… e lá fomos nós. Quando chegamos, vi uma coisa esquisita, a empregada estava sem as luvas lavando as mãos na pia, e os dedos dela pareciam dedos de caranguejo. Eu baixei a cabeça e disse: “Minha Senhora, trouxemos as bombonas e o lixo da limpeza”, ela parou de lavar as mãos e colocou logo as luvas, se virou e disse: “Ainda bem que vocês trouxeram, mas me fale uma coisa, o que o senhor viu?” e respondi: Tem algo para ver senhora? Ela ficou me encarando com olhar desconfiado, mas disse que nos levaria até a patroa para pagar o que devia.
– É mesmo Sr. Jeberitti, mas ela não tinha ido tomar banho na banheira?
– É isso mesmo que eu iria dizer… mas chegamos na banheira e ela cantava uma bela música, quando eu vi, o Marquinhos estava com olhos brilhando, indo na direção dela, eu segurei pela camiseta, e, quando eu percebi, a empregada estava me empurrando, quando fui ver a banheira, só pude ver aquela cauda de peixe enorme batendo na água. E eu disse: O que é tudo isso? Pelo Todo Poderoso. O Marquinhos querendo correr na direção, dela… felizmente eu consegui puxar ele para o meu lado e consegui dar a volta na empregada que me empurrava na direção daquela cauda, e fugimos de lá, Seu Arthuri… e o pior o Senhor não sabe, fiquei com prejuízo!
Nossa… ele se superou nessa história, não sei se aplaudo ou se chamo o pessoal da clínica, independente disso, dei mais uma garrafa d´água para ele, que disse:
– Chega de água, porque enferruja.

Imagem Gerada com IA
