Sr. Régis

Olá a todos! Espero que o dia de vocês esteja bom, onde quer que estejam… o pessoal do Direito, aqui onde eu vivo, pode parecer fascinante! Primeiro, ele é dividido em duas escolas, a Escola de Magistrados, onde o aluno já entra buscando ser Juiz num tribunal, eles aprendem a ponderar a lei perante os advogados e o júri, com ética, sabedoria, com a ajuda do Poderoso. E a segunda é a Escola de Advogados, onde os alunos estudam para saber como acusar, como defender e como interpretar as leis para os seus casos. A profissão de Advogado possui três graus, o primeiro é o Orador, onde o advogado através da retórica e do seu conhecimento mecânico das leis, se esforça para convencer os jurados que o seu ponto de vista está certo. Mas com o passar do tempo, os Oradores aprimoram os seus conhecimentos e a forma de expor os casos, então eles podem fazer uma prova e se tornar um Jurisconsulto, que é chamado também de Juris. Neste estágio, ele já entende todas as nuances da lei; como um Juiz, inclusive neste estágio, há a possibilidade do advogado fazer o cursinho para se tornar Magistrado. E finalmente depois de mais alguns anos, ele se torna um Legifer, quando ele tem capacidade de interpretar e transformar a lei, permitindo se tornar um Legislador. Mas a grande maioria não faz isso, eles desejam apenas o título completo: Orador Juris Legifer. Mas durante o tribunal, ele é chamado apenas de Orador. É, a coisa tem que ser simples… agora você está se perguntando: por que eu te falei tudo isso?

Eu falei tudo isso, porque hoje é sábado e um Orador Jurisconsulto está no meu bar, com cara de poucos amigos tomando seu whisky com chorizo. Mas eu ainda não sei que ele é um advogado, por enquanto ele é um cliente esnobe com cara de rico que está num bar que agrada do espectro trabalhador ao descolado. Fui descobrir quem ele era às duas da tarde quando Maria Flor chegou, ela até entrou discretamente no bar quando o viu. Entrou na cozinha, e depois o Tonhão veio falar comigo:

– Chefe, o Senhor não quer dar um pulinho lá na cozinha?

Fui até a cozinha e vi Maria Flor com os olhos arregalados, então perguntei:

– O que houve? Que cara é essa?

– Então, Sr. Arthur, o homem que está no meio do salão tomando whisky, que horas que ele chegou?

– Acho que faz uns quarenta minutos, por quê?!

– Ele é o meu pai! – falou a minha assustada escudeira.

– Ele é o seu pai? E você está com medo de ir lá? Agora eu também estou! O que a gente faz?

– Para, Seu Arthur, é sério!

– Calma, Maria Flor, eu sei que é muito sério! O que você quer fazer?

– Eu não sei! – ela disse com a cara apavorada.

– Então tá… eu vou lá ver qual que é a dele. Se você quiser, suba na minha sala, tem chá de hortelã na minha chaleira e gelo no meu frigobar.

Ela balançou a cabeça positivamente e se pôs no caminho… e eu, bem, fui ver a fera, que está fingindo ser cliente lá no salão. Cheguei por lá, e sentei na sua mesa:

– Boa tarde, com licença… eu nunca vi o Senhor por aqui. O que está achando do chorizo, está bom?

– É, até que está… ele combina com o whisky.

– Sim, essa bebida combina com esse petisco… tem algo mais que deseja para desfrutar dessa tarde?

– No momento não preciso de nada, eu posso pedir quando chegar a hora… é que estou esperando alguém.

– É claro que está, Sr. Régis.

– Você sabe meu nome, então você sabe quem eu sou.

– Inicialmente eu não sabia quem o Senhor era… descobri faz uns cinco minutos.

– Isso quer dizer que ela chegou… e onde ela está, eu quero falar com a minha filha. – ele disse com um misto de raiva e autoridade.

– Sim, eu sei que quer… mas é complicado, temos que observar se ela deseja falar com o Senhor também, não é?

– Por que ela não quereria falar comigo? Eu sou o pai dela.

– Eu posso listar alguns motivos, se quiser.

– Olha, Sr. Arthur – nossa, ele também sabe o meu nome – eu sou um Orador Jurisconsulto, se não for chamá-la, vou até a polícia para denunciá-lo por sequestro, e o Senhor nunca mais vai sair do xilindró! – dava para sentir a ira vibrando por ele.

– Olha, Sr. Régis, eu não sequestrei ninguém… inclusive ela ainda trabalha comigo porque ela sabe que este lugar é um lugar de respeito. E aqui todo mundo combina o que vai fazer… e mais uma coisa, olha do seu lado esquerdo, tá vendo aquele rapaz encostado na parede? – ele olhou e viu o Malvino com cara de poucos amigos e então continuei – se eu estalar os dedos, ele sem dúvida chamará a polícia, e então já que fomos nós que chamamos, seremos os primeiros a dar a nossa versão da história, lá na delegacia. E aproveitarei para chamar esse distinto Senhor, que também ajudará em relação à Maria Flor. – mostrei para ele o meu celular com a foto do Sr. Henrique fazendo joinha, com o número dele logo abaixo. Ele ficou lá olhando com a sua cara raivosa para mim, e já que não disse nada, eu continuei:

– Ele é alfaiate, não é? Ele esteve aqui alguns dias atrás, sei que ele tem uma dúzia de clientes que são Oradores Jurisconsultos, e mais meia dúzia de Oradores Juris Legifers que fariam o favor de defender a causa da neta dele, e do local que ela trabalha, e de graça, porque o seu ramo é canibal, não é? Um Orador devorando outro Orador… então eu pergunto: Vai continuar com esse papo de que é dono dela e que o mundo deve se curvar à sua vontade?

Ele olhou para o lado por um minuto, se virou para mim novamente, se levantou e tirou o dinheiro da carteira, jogou sobre a mesa e disse:

– Esse lugar é uma espelunca.

– Será que é? Mas isso não é problema seu, e o meu dever é proteger a minha equipe. Mais uma coisa, não sou eu quem espanta os próprios filhos.

Ele ouviu o que eu disse e foi embora, me levantei, peguei o dinheiro e fui até o caixa. É, ele deu mais do que precisava… azar o dele. Subi até a minha sala e ela estava lá com a carinha apavorada, então me perguntou:

– O que ele disse?

– Aposto que você já sabe, Flor… e eu sei que ele parece assustador, mas ele no fundo é só um homem que também vai ao banheiro, e um dia, você vai ter que enfrentá-lo. Mas se acalme, esse dia ainda não é hoje.

Nota do Autor:

Depois que terminei esta história, achei interessante mostrá-la para um amigo advogado, o Dr. Oscar, que depois compartilhou o seu conhecimento comigo e o resultado foi o enriquecimento do texto.

Dr. Oscar, muito obrigado!

Imagem Gerada com IA

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