Olá a todos, como vocês estão? Aqui está tudo bem… meu contador deu uma passadinha por aqui de tarde para falar do meu pessoal. E percebi uma coisa, o Tonhão da cozinha não tem quem substitua caso tire férias. Foi aí que percebi que é ele de cozinheiro e os demais são auxiliares, nem assistente ele tem. Eu poderia pedir para Maria Flor cobri-lo… mas prefiro que ela cuide dos clientes e que aprenda sobre o administrativo. E ela conta que já cozinha demais na Universidade. Então coloquei dois anúncios, um para Assistente de Cozinha e outro para Cozinheiro Júnior, vamos ver o que aparece primeiro.
Não demorou muito e veio um rapaz na faixa dos quarenta anos… achei que ele tem cara de experiente, mas vamos ver. Sentei com ele numa mesa e começamos a conversar:
– Tudo bem, qual é o seu nome?
– Tudo bem, meu nome é Aírton. – ele segurava um currículo e parecia não querer entregar.
– Posso ver?
– Claro.
Comecei a ler, e percebi uma coisa estranha, então perguntei:
– Aírton… teu nome está errado. Aqui está escrito Nikola.
– Sim, ele está certo. Esse é o currículo do meu filho… – ele sorriu à vontade – … eu que tô fazendo as entrevistas por ele, sabe como é!
– Como é que é?! Então, é ele quem deveria estar aqui, não é?
– Sim, mas ele está na faculdade e estou vendo para ele trabalhar entre as duas e às cinco da tarde, de terça a quinta-feira.
– Como ele vai trabalhar nove horas por semana?
– É porque ele tem aulas de línguas na segunda e a gente costuma viajar de sexta à tarde.
Fiquei olhando para ele lá na minha frente, então resolvi apelar:
– Malvino, dá uma chegadinha aqui!
– Pois não, patrão!
– Dá uma olhada lá na rua pra mim, por favor. Vê se tem alguma van de TV ou alguém com uma câmera escondida. Isso está com cara de pegadinha.
Aírton ficou me olhando com a mesma cara que eu havia feito um minuto atrás… a conversa estava se transformando na Guerra dos Absurdos, ganha quem consegue fazer o discurso mais sem noção ou mais cabeludo… então tomei uma atitude adulta:
– Aírton, eu preciso de alguém com experiência, para assumir o posto com o mínimo necessário de treino. Para começar, o seu garoto estuda Gastronomia.
– Não, ele estuda música.
É… esse cara tá ganhando a guerra, só tenho uma coisa a fazer:
– Malvino… chega aqui por favor!
– Pois não, patrão!
– Creio que o Aírton esteja meio perdido, por favor, acompanhe-o até a porta.
– Como assim, estão me expulsando?
– Ok, vamos desenhar para você entender: as vagas são para Assistente e Cozinheiro, para trabalhar da hora que abre à hora que fecha de segunda a sábado. O seu filho, que deveria estar aqui e não está, não tem experiência, não tem horário compatível e creio que não terá interesse. Certo?!
– Não, pera aí, o meu filho é bom, você tem que contratá-lo.
– Malvino, por favor, já estamos perdendo tempo demais.
Ele puxou o currículo da minha mão e levantou, ofendidíssimo:
– Eu sei muito bem quando não sou bem-vindo! Vocês estão perdendo um talento!
Talento? Onde?! Tem louco para tudo, deveria chamar o pessoal da clínica psiquiátrica para internar esse cara. Felizmente, uns dois dias depois, consegui contratar um Assistente.

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