Nesta última quarta, pela manhã, um dos meus principais fornecedores entrou em contato comigo. Um grande distribuidor de carne, o nome dele é Dário, e ele parecia apressado, ele disse assim que atendi:
– Bom dia, Arthur, é o Dário, você está bem? Então… eu preciso marcar uma reunião com você, pode ser amanhã?
– Bom dia, Dário, estou bem e você? Deixa eu ver a minha agenda… sim, pode ser amanhã, que tal lá pelas catorze horas? – nada como responder uma pergunta com outra pergunta.
– Sim, estou bem… claro que pode ser às catorze horas, desde que seja amanhã. – é, o Dário está muito determinado.
– Está certo, agendado para amanhã.
– Até amanhã… Ahh, tem mais uma coisa, eu levarei mais três pessoas que participarão da reunião. – é, está ficando bom.
– Claro, pode trazer… você pode me adiantar o assunto? – vocês sabem que eu sou curioso, não sabem?!
– Por telefone não, é sigiloso… amanhã nos vemos. – e ele desligou o telefone.
É, nunca vi o Dário desse jeito, nem na época do Grande Racionamento há três anos, quando houve um surto de uma doença neurodegenerativa com o gado bovino, mas o caso foi resolvido da forma correta, e isso é passado. Vamos ver o que acontece amanhã.
Catorze horas e dois minutos, e estamos na minha sala, todos sentados… eu; Dário, distribuidor de carne de boi; Marcos, o distribuidor de carne de frango; Alberto, da distribuição de batatas; e a não menos importante, Dona Ana, a distribuidora de frutas, legumes e hortaliças… eu só estou com os grandes dos grandes da distribuição. Perguntei com a minha habitual curiosidade:
– Caraca, Dário… você só trouxe todo mundo! O que está acontecendo?!
– É, Arthur, o jogo chegou em um novo nível… você ficou sabendo o que a Yeahh está fazendo?
– A gente ouve muitas coisas… mas em que sentido você está dizendo?
– Ela está com uma política predadora de exigir exclusividade dos produtores, ou, dependendo do produtor, eles estão adquirindo a propriedade deles. Então como fica o resto do mercado, se todos os produtores são da Yeahh Foods?
– É, vai ficar péssimo… talvez eu tenha que fechar, porque eu não compro da Yeahh. O governo não está fazendo nada? – numa situação dessas é melhor comprar do diabo do que comprar da Yeahh… pera aí! A Yeahh é o diabo, então não tem jeito, eu vou fechar!
– Você sabe como o governo é, ele só quer saber de arrecadar para gastar mais, então falamos com os principais produtores, e não deixamos de fora os pequenos, porque esses são os mais vulneráveis. E agora estamos indo falar com os principais parceiros. Estamos fundando uma Cooperativa, o nome dela será “En-Hed Coop”.
– En-Hed, que nome é esse? – perguntei porque achei o nome muito diferente.
– Ele significa União, numa língua ancestral.
– Ah, interessante… até acho auspicioso ter um nome desses.
– Pensamos o mesmo! – falou Dona Ana.
– Então, já temos muitos produtores que estão se associando a nós, e isso protegerá a todos de alguma reviravolta criada pela Yeahh. Nós temos o seu apoio?
– Claro que tem… a qualidade continuará a mesma e os preços continuarão justos?
– Sempre, Sr. Arthur, sempre!
– Se for assim, eu apoio e continuo o relacionamento que já se estende por bastante tempo, não é?!
– Claro, Sr. Arthur, e inclusive trouxemos algo para compartilhar. – assim disse Marcos, que estava com uma pasta nas suas mãos, ele a colocou sobre a mesa e continuou dizendo – Essa é a logo criada para a nossa Cooperativa. A inauguração dela será num evento daqui a duas semanas. O Senhor deverá receber um convite.
Eu olhava para a logo… e não é que é uma logo interessante, então respondi:
– Não espero a hora de ir!

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