Gerações – Parte 1

Boa tarde, tudo bem?! Já são mais de três da tarde, Maria Flor estava na cozinha, falando com o Tonhão. Malvino está do lado de fora do Bar Uky só observando o movimento, os garçons estão organizando as coisas… é, o dia está tranquilo, alguns clientes entram, outros saem… e olha só, um velho está entrando, ele é muito familiar. CARACA, é o meu tio Jaime! VIXE… o que será que ele quer? Será que aconteceu alguma coisa? Ele disse ao me ver no caixa:

– Fala, meu sobrinho desnaturado!

– Oi, tio… aconteceu alguma coisa?

– Não aconteceu nada, só vim te ver! Já que você não aparece nas reuniões de família, e não manda mensagem… só posso vir quando acontece alguma coisa, é isso?

– Claro que não, o senhor pode ligar também, principalmente se tiver notícia ruim. – é como dizem, notícia ruim vem a cavalo.

– Nada disso… você sumiu até da taverna e eu resolvi fazer uma visita.

– Tá certo, vamos subir no meu escritório.

Maria Flor apareceu por lá assim que nos sentamos, meu tio olhou para ela e perguntou:

– Arthur, quem é essa adorável mocinha?

– Tio, é a Maria Flor, e está trabalhando aqui comigo – aproveitei e disse – Maria Flor, esse senhor é o meu Tio Jaime, irmão mais novo do meu pai.

– Oi, Sr. Jaime, tudo bem com o senhor? – Maria Flor sempre educada, falou se inclinando.

– Oi, mocinha, estou bem, obrigado. Você pode me fazer um favorzinho?

– Claro, pode pedir.

– Traga um copo de água para mim. – Jaime se virou na minha direção logo depois que ela saiu e disse – Mocinha bonita, você sempre teve bom gosto, ela só trabalha para você ou ela te faz algum favor?

– Favor? Que favor? – olhei sério para o meu tio, ele estava com o sorrisinho malévolo que ele sempre faz para incomodar a gente, foi que percebi as quintas intenções dele e respondi:

– Obrigado por me lembrar o porquê que não vou para as reuniões de família, o porquê de não ligar para saber notícias, o porquê não ligo no seu aniversário ou mesmo nas datas de final de ano. Agora lembrei o motivo de eu ficar longe da família. Então o senhor veio aqui para que?! Se é para falar do Feriado de Aniversário da Cidade , aproveito para informar que não vou na casa do senhor… vou para casa de um dos irmãos da Carolina, – minha esposa – lá é agradável, sem competição e sem maldades.

Meu tio estava com os olhos arregalados, e a sua cabeça estava para trás, acredito que ele não esperava a enxurrada que lancei sobre ele. Maria Flor chegou com uma bandeja e o copo d´água, ela colocou educadamente o copo na frente dele, e antes que pudesse sair, escutou mais um pedido do Jaime:

– Obrigado pela água, mas será que você pode fazer outro favor?

– Pois não, Sr. Jaime!

– Não sei porque o meu celular não toca mais, vocês jovens entendem tanto deles que será que você pode ver o porque que o meu não toca? – caraca, agora meu tio vai escravizar a minha assistente para as necessidades dele.

Olhei para a Maria e disse:

– Flor, não precisa ver, eu vejo o que aconteceu com o celular dele… obrigado pelo copo d´água.

Ela sorriu e acenou com a cabeça, se virou e saiu da sala, enquanto eu pegava o aparelho do meu tio. E é o problema de sempre, estava sem som de toque, coloquei num volume alto e devolvi para ele, então perguntei:

– O que traz o senhor aqui mesmo?!

Ele fez cara de susto, parece que peguei-o desprevenido, então disse de uma vez:

– Nada, só vim ver como você está, e vim perguntar do feriado.

– Estou bem, obrigado, e sobre o feriado… bem, o senhor já sabe! Mais alguma coisa?

– É que você tinha que passar para ver o seu pai e a sua mãe, faz tempo que você não vê os dois.

– O senhor sabe que não preciso passar por lá, ele já tem o meu irmão que faz tudo que ele quer… mas, independente disso, eu passo uma hora na casa deles para dar um “oi”. Tá bom assim?

Ele fez cara de não é isso que eu quero, mas tudo bem, e falou:

– Então eu vou embora, bom feriado com a família da sua esposa.

– Bom feriado para você também, Jaime.

Ele se levantou e saiu da minha sala. Maria Flor apareceu alguns minutos depois, chegou dizendo:

– Nossa, seu tio saiu com uma cara… aconteceu alguma coisa?

– Aconteceu, tudo… e nada! Minha relação com a minha família é complicada.

Maria Flor fez uma expressão que entendia o que eu falava, e então, voltamos ao serviço.

Imagem Gerada com IA

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