O Encanador

O ano começou bem… entupiram uma das privadas do Bar Uky. Sacanagem, aposto que foi um moleque que não parava quieto. Agora tenho que chamar um encanador, felizmente há os “Encanadores Express” aqui na vizinhança, liguei para eles e consegui uma equipe para chegar em menos de vinte minutos. Chegaram em dezenove, numa combi velha que pararam aqui na frente. Desceram um senhorzinho com um rapaz aparentando uns vinte anos, eles entraram e o senhor perguntou com sua voz rouca:

– Bom dia, é aqui que precisam desentupir uma privada?

– Aqui mesmo. Qual o nome do senhor?

– Eu sou o Jeberitti, você pode me mostrar onde a privada está?

Fui com ele até o toalete masculino, e, ao ver que o chão ainda estava úmido, disse:

– VAH! Está tão entupido que a água transbordou! – ele olhou para o rapaz que o acompanhava e disse – Marquinhos, traga a bomba de pressão.

O rapaz se dirigiu até a porta e eu perguntei:

– Posso deixar em suas mãos, Sr. Jebberitti?

– Claro, claro… falarei com o senhor assim que terminar aqui.

Voltei para o balcão, e quinze minutos depois o Jeberitti estava na minha frente. Sua face era de um homem esgotado, e então ele começou a falar com sua voz cansada:

– Sr. Arthur, o senhor não sabe o que aconteceu… – vixe deu ruim, vai ter que quebrar o piso – … eu estava com a bomba para tirar o entupimento, e ele não saía de jeito algum, e eu bombeava, bombeava, bombeava… aí eu tirei a bomba e um lagarto com uns sete metros de altura saiu de dentro da privada, – sete metros? O toalete tem três metros de altura – e aquela monstruosidade engoliu o meu ajudante, o pobre do Marquinhos! – olhei para a combi, e lá estava o Marquinhos guardando a bomba dentro dela, voltei a olhar para o senhorzinho a minha frente e ele continuou – Depois ele voltou para dentro da privada e foi embora, e o que eu pude fazer foi dar a descarga e pular dentro da privada para ir atrás deles, felizmente eu tinha uma chave inglesa no bolso de trás, um estilete na minha pochete… eu acabei chegando numa caverna enorme depois que escorreguei pelos encanamentos. Lá pude ligar a lanterna do meu celular para procurar o monstro, e felizmente achei as pegadas da criatura no chão, depois de caminhar e caminhar, muito, encontrei o ninho dele numa caverna, com tochas nas paredes, um bando de pessoas vestindo roupas pretas com capuz que falavam: “Adrimon… Adrimon…”. Foi que apareceu uma mulher morena, com os cabelos longos, usando máscara e biquíni de metal dourados, ela estava sobre uma plataforma de pedra e ela falou: “Saya ragu awak akan bersusah payah mencari apa yang saya katakan dalam penterjemah!”.

– Ela disse tudo isso? – essa história tá ficando melhor.

– Sim, ela disse… e todos de capuz disseram: “Ohhh…”, e aí eu me perguntei, como vou salvar o meu Marquinhos? E aí eu tive uma ideia, eu tenho um celular que é para o ladrão, e deixei-o do outro lado da caverna, voltei para onde eu estava e liguei para ele… – essa companhia de celular é boa, tem sinal embaixo da terra – ele tocou, tocou e tocou, todos os encapuzados começaram a olhar em volta, e foram na direção do som do celular. Então eu pude ir até o lagarto e cheguei chutando as costelas ele, então ele começou a correr atrás de mim, e eu fugi por um túnel que estava ao lado do ninho dele. Eu corri, corri e corri, até abrir uma outra caverna, e eu pude subir numa pilastra de pedra, esperei-o até ele passar correndo ao lado da pilastra, e eu pude me jogar em cima dele e comecei a bater nele com a chave inglesa… bati, bati e bati até ele parar de se mexer. Neste instante, eu pude abri-lo com o meu estilete, e tirei o Marquinhos de dentro dele, que estava vivo, molhado e assustado. – olhei para o lado direito do Jeberitti, e lá estava o ajudante sequinho olhando para mim com cara de “não é nada disso”, então voltei os olhos para o meu lado do balcão, e o Malvino estava encostado nele prestando atenção na história. É, vamos ver como ela termina – Eu disse para o menino: venha comigo, e rápido. Quando íamos voltar pelo túnel por onde eu vim, escutamos os encapuzados vindo em nossa direção, então subimos na pilastra para ver se passavam por nós. Eles chegaram, e a mulher do biquíni de metal estava a frente deles, quando encontraram o lagarto morto, e ela disse: “Apa yang berlaku di sini?”… e quando ela terminou de dizer, nós já estávamos correndo pelo corredor. Fomos até o ninho e depois corremos até o corredor do encanamento, e com muito esforço conseguimos subir por eles, e chegamos aqui.

Olhei para o Marquinhos, ele tava com cara de que não era nada daquilo, então eu disse:

– Nossa, que aventura que vocês tiveram, quanto tempo que ela levou? Em torno de uma hora?

– Sim, mais ou menos isso! – respondeu o senhorzinho.

– Mesmo? Mas faz menos de meia hora que vocês chegaram aqui!

– Mas foi isso mesmo que aconteceu. – falou o Jeberitti.

– O senhor conhece a vizinhança?

– Sim, claro que conheço, por quê?

– Você já foi na clínica psiquiátrica que tem aqui perto?

– Sei onde fica, mas nunca fui lá, sei que só tem loucos naquele lugar. – rá, aposto que ele não vai na clínica, porque sabe que não deixarão ele sair.

Imagem gerada com IA

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