Almoço de Família

Olhem só quem está chegando por aqui, o Marião da pastelaria, e está acompanhado da sua família, inclusive do seu filho engenheiro, o Carlos. Sentaram e fizeram os pedidos, depois eu vi o Marião procurando por alguém… procurou, procurou, e sorriu quando me viu, levantou a mão e fez sinal de venha aqui. Fui até eles, e ele disse:

– O Carlos foi promovido…

Fiquei surpreso, fui até ele e dei meus parabéns, ele se levantou e me deu um abraço, e o Marião continuou:

– … você tem champanhe para fazermos um brinde?

– Eu tenho bons espumantes, pode ser?

– Pode. Então, por favor, traga no final do almoço para fazermos o brinde.

– Claro, me fale quando chegar a hora.

– Te falo, e não esqueça do seu copo. – legal que poderei participar, mas levarei taças para ser memorável.

Eles comeram e beberam, depois pediram a sobremesa, havia uma aura de felicidade naquela mesa, algo que fazia tempo que eu não via e que me encheu o coração, foi então que lembrei. Peguei cinco taças, um balde com gelo para o espumante continuar geladinho, peguei o melhor porque, como eu já disse, tem que ser memorável!

Eu soube que tinha que ir, assim que o Marião olhou para mim, um garçom me ajudou a levar as coisas… dei uma taça para cada um e entreguei a garrafa para o Carlos abrir, ele educadamente disse:

– O senhor pode abri-la por favor, Seu Arthur.

– Claro, eu fico honrado com o seu pedido.

Retirei o “muselet” que segura a rolha, depois a acomodei na palma da minha mão esquerda, então eu girava ela dê um lado para o outro enquanto a minha mão direita segurava a garrafa, e no fim girei para a direita puxando a rolha para cima, foi então que Daniel, o irmão mais novo de Carlos, perguntou:

– Não tem que chacoalhar para lançar a rolha?

– Não é bom fazer isso, Daniel, podemos desperdiçar o espumante e o gás da bebida… além de que não ter controle da rolha, ela poderá acertar e machucar alguém. Entendeu?

– Entendi.

Abri a garrafa e servi para todos, brindamos e bebemos, então perguntei:

– Qual é o seu cargo novo?

– Agora eu sou Engenheiro Chefe… antes eu realizava os projetos, agora eu supervisiono as equipes que realizam eles.

Dei uma risadinha e perguntei:

– A tua equipe foi a que desenvolveu o cachorro que ajudou o seu pai?! – talvez vocês não lembrem, mas o Marião apareceu na pastelaria com um cachorro cibernético.

– Sim, foi minha equipe que criou aquele robô… você gostou dele?

– Gostei… mas vou gostar mais quando vocês lançarem o modelo que parece gente, que fala e faz o serviço de casa e do trabalho!

A mãe dele começou a rir e disse:

– Sr. Arthur, eu cobro isso dele quase todos os dias!

Todos riram, e ele disse coçando a cabeça:

– Esse vai demorar um pouco, apesar do cronograma em dia.

– É mesmo? Qual a dificuldade?

– É complicado combinar controle, energia, mecânica e sensorial. Algo que funcione agora pode não funcionar bem na próxima etapa, e temos que reinventar os processos que já foram criados.

– Caraca… então a gente espera, fazer o que?!

Enquanto isso, o pessoal que fica em volta ficou olhando para gente como se nós fossemos alienígenas, pelo nosso papo diferente. Se essa tecnologia estivesse disponível, eu teria um desses em casa também… terminamos a garrafa de espumante e o Marião foi pagar a conta. Ele quase ficou bravo porque não cobrei o espumante, dei de presente, como disse: tem que ser memorável.

Imagem gerada por IA

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