Perdoem o jargão, mas, “O Amor Está no Ar”… e alguns casais estão se encontrando aqui no Bar Uky. Mas não há só casais, há também um ser que os acompanha por estarem sós. Eles são convidados por dó, ou mesmo por inconveniência se autoconvidam, e esse acompanhante é chamado de “vela”. Há velas de vários tipos, tamanhos e sexos, o que não falta é descrição deste tipo de gente. Mas num dia desses veio uma vela um pouco diferente… acompanhava o amigo, e quando a moça chegou, a vela se levantou e sentou no balcão. Interessante, não é?! Ela ou, nesse caso, ele, poderia ficar lá empacando o encontro, mas não, sentou aqui no balcão e pediu uma caipirinha de cachaça e ficou olhando na direção da parede enxergando o nada, com cara que estava com a mente em algum outro lugar. Terminou o copo e pediu mais uma caipirinha, foi então que eu disse:
– É bom você comer alguma coisa.
– Não estou com fome. – ele respondeu de uma forma desanimada e deu um gole do copo novo.
– Mesmo? A bebida vai subir rápido do jeito que você está fazendo.
– Eu sei… é que quero esquecer um amor!
VIXE… já está sofrendo nessa idade?! Tá bom, to sendo injusto, até eu já sofri de amor nessa idade, e ele continuou:
– Ela era tão linda… era da minha turma na faculdade.
– Você estuda aqui na Universidade? – perguntei já sabendo a resposta.
– Estudo… Comunicação, ela era uma bolsista, os professores gostavam dela.
– Puxa… ela era talentosa.
– Era, ela se dava bem com todo mundo, o melhor trabalho que fiz foi com ela.
– Puxa… pena que ela foi embora. Por quanto tempo vocês se relacionaram?
– A gente nunca se relacionou.
– Como é?! Porque você não liga pra ela? – é, ele me surpreendeu com a sua inércia.
– Eu não tenho o telefone dela!
– E ninguém da sua turma tem? Você já pesquisou na internet?
– Não sei se o pessoal tem… e não procurei na internet também.
– Rapaz, você é muito lerdo! Posso saber o seu nome?
– O meu nome é Artur.
– Artur?! Nós somos xarás… e não acredito que você seja tão lerdo assim! Seu nome tem “h” entre o “t” e o “u”?
– Não, não tem.
– Ah, tá explicado porque você é lerdo, – o Arturzinho tá olhando de cara feia, não deve estar gostando do papo – qual é o nome dela?
– O nome dela é Sofia.
– Nome bonito, qual é o nome da menina que está com o seu amigo?
– O nome dela é Ingride.
Virei-me para a mesa que estava logo a frente e disse:
– Ei, Ingride, tudo bem? – ela olhou para mim, com um misto de curiosidade e estranheza, porque eu havia cortado o papo dela com o rapaz.
– Pois não?!
– Você conhece a Sofia?
– É a bolsista?
– Sim, esta mesma… você tem?
– Ah, eu tenho!
– Será que você pode dar para o Arturzinho aqui? É que ele é apaixonado por ela!
– É mesmo… porque você não disse, Artur?!
– Desculpe, senhor, mas acho que está se intrometendo onde não é chamado?!
É, eu estou sendo inconveniente… mas de repente eu consigo juntar os dois pombinhos!
– Estou passando o número para você, Artur. – Ingride falou pegando no celular.
– Aí, Arturzinho, liga pra ela. – eu estava mais empolgado que todo mundo no bar – Há quanto tempo você conhece a Sofia?
– Eu conheço ela há dois anos. Vou ligar para ela depois, não vou ligar com cachaça na cabeça, e com plateia assistindo… e para de me chamar de Arturzinho!
– Tá bem, eu paro… mas liga mesmo! Viu? Levei menos de dez minutos para conseguir algo que você não conseguiu em dois anos. – foi então que percebi um pessoal rindo. Estavam prestando atenção a ponto de alguns falarem para todos ouvirem:
– Liga lá, Artur.
Depois disso deixei o rapaz em paz, e ele até pediu um refrigerante de limão e um “cheese-salada”.
Alguns dias depois, ele apareceu por aqui com alguns amigos, sentaram no balcão e pediram cerveja, ao me ver disse:
– E aí?! Lembra de mim?
– Fala, xará… quais as novidades? Falou com a menina?
– Falei, mas ela voltou para a cidade dela.
– Ah, que pena. – é, fiquei triste.
– É, mas ela me convidou para ir no final de semana na casa dela.
– Ah, isso é bom! – agora fiquei feliz – Ela mora com os pais?
– Sim… os pais e o irmão mais velho.
– Não esquece de levar um presente pra ela… é bom levar para os pais também. Geralmente homem é fácil, a não ser que ele não beba. Já para uma senhora, dê uma daquelas latas com chás variados.
– Tá certo. – ele falou balançando a cabeça.
É, às vezes um empurrãozinho ajuda.

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