Apenas Uma Dança

Mais uma semana passou… e olha nós aqui de novo!

Vocês sabem o que é difícil de deixar limpo aqui no Bar Uky? O toalete masculino… e não é porque o pessoal é porco, é porque a fisiologia masculina é complicada. E é por isso que tenho um capacho do lado de fora dos toaletes, junto a pia externa, para os resíduos não irem para o salão. Mas garanto que esse capacho é lavado todos os dias. Você pode estar se perguntando o porquê de eu falar um assunto nada a ver, e isso tem a ver com algo que ocorreu numa sexta-feira, durante o “Happy-Hour”. Como já foi comentado, Maria Flor trouxe uma galera um pouco mais sofisticada para curtirem o começo da noite, numa dessas noites vieram três mulheres com suas respectivas filhas. As mães pediram margaritas, as filhas suco ou refrigerante, e para comer, uma porção generosa de batatas fritas.

Uma hora depois a casa estava bombando, e nessas horas todo mundo corre para apagar incêndio, então fazemos o serviço que precisa ser feito, e o meu era: recolher as toalhas de papel usadas da lixeira da pia externa. Quando cheguei lá, via a cena que, se fosse em outro lugar, seria fofa: as três meninas gravando uma dancinha com um celular na pia… de meias sobre o capacho. É, aquela cena não me agradou, e eu fui falar com elas imediatamente:

– Boa noite, mocinhas, tudo bem? Então, não é bom vocês ficarem aqui.

– Por quê? – perguntou a maior que parecia ser a líder delas.

– Mocinha, esse capacho é sujo, com a sujeira do toalete, é bom vocês voltarem para as suas mães!

– Isso é o que você está dizendo… – ela falou em um tom incrédulo e rebelde – vamos continuar aqui para brincar.

– Mocinha, você não está entendendo, aqui também é um local de passagem… e vocês estão atrapalhando todos que passam por aqui!

É… as crianças costumavam ser mais educadas na minha época, fizeram cara feia e saíram… peguei o papel da lixeira, levei até o lixo do lado de fora do bar, lavei as mãos com detergente na cozinha, e voltei para o toalete… e adivinha quem haviam voltado para dançar. É, falei mais uma vez:

– Mocinhas, vocês não podem ficar aqui! Esse lugar é impróprio para vocês brincarem!

– Não tem problema, a gente sai para as pessoas poderem se lavar.

É, não tem jeito… vou ter que falar com as mães. Fui até elas que arregalaram os olhos e uma delas começou a brigar comigo:

– Como assim as nossas filhas não podem ficar lá na pia do toalete?

– Senhora, como eu disse, elas atrapalham o fluxo da passagem para os toaletes, atrapalham o pessoal quando vão lavar as mãos, e o pior: elas brincam de meias em cima do capacho que está lá para manter os sapatos limpos.

– Então onde elas ficarão? Já que aqui não tem brinquedoteca. – ela falou com ar de autoridade como se tivesse razão, e começou a chamar a atenção, a ponto do Malvino se aproximar para me dar apoio.

– Senhora, não há porque falar nesse tom de voz. – as três mulheres olharam para ele, e ele continuou – Se o patrão está falando, é porque não é bom para as meninas nem para os clientes.

– Quer saber de uma coisa, traga a conta, não vamos ficar mais nesse botequim! – ela disse isso com convicção e as amigas estavam com cara de “Sim, traga a conta!”.

Não demorou para a conta chegar, elas pagaram enquanto as meninas calçavam os seus sapatos. Quando olhei o valor pago, percebi que não haviam pago o valor do serviço… tudo bem, é um pequeno preço para não atrapalhar ninguém.

Apesar de não terem pago o serviço, da incredulidade, da falta de educação e da bravata, eu fui legal e fiz o que achei certo, enquanto saíam eu disse:

– Não é problema meu… mas falem para elas lavarem os pés antes de dormir.

Imagem gerada por IA

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