Um Cachorro Emprestado

E aí?! Vocês estão bem?

Sabe o que eu gosto de comer quando bebo cerveja?! Pasteis… nós servimos essa iguaria simples, porém deliciosa aqui no Bar Uky. Eles são no formato de meia lua bem recheados, com carne ou mussarela. É diferente dos pastéis do Mário, meu vizinho do outro lado da rua, que são uma refeição. É, meu vizinho é um pasteleiro, e o pastel dele é muito bom, a ponto de eu ir lá de vez em quando para almoçar. Ele trabalha de terça a domingo, então de vez em quando, ele e sua família dão uma passada aqui nas segundas para almoçar. Quando ele precisa, eu vendo cerveja a preço de custo para ele; enquanto que ele me vende a sua massa para pastel, e assim mantemos uma relação de harmonia onde todos ganham. O seu filho mais velho, Carlos, é engenheiro, estudou mecânica e eletrônica na Universidades da Cidade, e ele projeta alguns produtos diferentes, inclusive eu vi o Mário usando um nesses dias. Foi no meio da semana, eu estava abrindo o bar, quando vi o “Marião” chegando com um quadrúpede ao seu lado. Eu olhei de longe e pensei:

“UÉ… agora ele vem trabalhar com um cachorro?”

Ele foi se aproximando e percebi que não era bem um cachorro, apesar de ter o tamanho de um com grande porte… e parece que ele tem algumas coisas nas costas. Ele foi chegando, chegando, e percebi que era um daqueles robôs quadrúpedes, fiquei surpreso, a ponto de ir até ele e perguntar:

– Marião, o que é isso?

– Você viu? O Carlos que trouxe para eu experimentar. Ele está com essa bandeja presa nas costas para poder trazer carga.

– Caraca, é muito legal… quanto que ele aguenta de carga?

– Esse aguenta uns vinte quilos.

O meu pessoal chegava do outro lado da rua, então falei para o Mario:

– Daqui a pouco eu volto e falamos mais.

– Ok, Arthur… até daqui a pouco.

Terminei de abrir as portas do Bar Uky enquanto os garçons chegavam, fui até a minha sala no andar de cima para realizar as minhas tarefas administrativas, os garçons preparavam as mesas, e a equipe da cozinha levantava o estoque. Fui até a pastelaria depois que a coisa já estava tranquila… e o Mario, ao me ver entrar na pastelaria, fez sinal com a cabeça para irmos até a sua cozinha. Fomos até ela e o “dog” estava lá, me aproximei e disse:

– Bacana, como ele funciona?

– Primeiro instalamos o “app” no celular, e ele nos acompanha pelo sinal emitido por ele, ou vai na rota que você programar previamente.

– Você não tem medo que o roubem de você?

– Ele tem “GPS”, não só está em contato com o meu celular, mas também com a empresa que o Carlos trabalha… eles sabem de tudo que acontece com ele.

– Você tem alguma ideia de preço?

– Ainda não, ele é um modelo de teste.

– Quanto tempo que dura a bateria?

– Depende do uso, pelas contas do Carlos, da forma tranquila que eu utilizo, durará uma semana.

– Uma semana? Parece um carro.

– É, parece mesmo, – ele falou rindo, e continuou – e ele também não morde.

– Só mais uma pergunta… o Carlos te falou quando que vão fazer aquele parecido com gente?

– Estão desenvolvendo esse também, mas ele é um trambolhão, então, estão estudando formas de diminuir o seu tamanho.

Fiquei por lá por mais uns cinco minutos e voltei para o bar… é, eu não ficaria chateado em ter dois robôs humanoides trabalhando para mim. Fariam o serviço chato… lavar a louça, organizar o depósito e varrer o chão. Melhor deixar quieto, antes do pessoal do sindicato começar a reclamar!

Foto gerada por IA

Deixe uma resposta

Rolar para cima