A Hostess

E aí? Tudo bem com vocês?

Vocês sabem que não é bom tomar muito refrigerante, não é? O sal contido nele faz mal para nós, e é por isso que tenho tomado muito chá ou outras infusões. O legal é brincar de alquimia com as ervas, algumas combinações podem ficar interessantes, mas não é bom abusar. E foi numa tarde calma com o céu azul de outono, onde eu desfrutava da combinação de laranja com hortelã, que ela entrou pela primeira vez pelas portas do Bar Uky, uma moça alta e com os cabelos castanhos, que na ocasião estavam presos, a expressão dela é séria. Ela vestia calça jeans, tênis, moletom rosa com uma estampa de gatinhos. Veio até mim com um envelope na mão, e eu imaginei que era uma conta para pagar, mas antes ela perguntou:

– Oi, eu posso deixar o meu currículo?

– Claro, com que você trabalha?

– Eu trabalho como hostess, no momento estou no Bar Andrômeda.

– No momento? Você está pensando em sair de lá? – perguntei já abrindo o envelope.

– Estou. – ela respondeu desconfiada, então me apresentei:

– Meu nome é Arthur, eu sou o dono do Bar Uky.

– Prazer, Sr. Arthur! – ela falou me estendendo a mão para me cumprimentar e eu a cumprimentei.

– Então, o Andrômeda não é o bar hooftop do momento?

– É até agora… mas o proprietário mandou a maioria dos garçons experientes embora, e os novos não atendem bem.

– Ele não treinou o pessoal?

– Treinou, mas daquele jeito. – ela fez aquela cara que entendemos que não foi um bom treinamento.

Não é que ela tem um currículo interessante, ela sempre trabalhou com o público em geral, então conversamos sobre o horário e o salário… e o primeiro dia dela, depois de se desligar do Andrômeda… e o horário que é a partir das dezessete horas… tudo combinado, tudo certo! Ela estava com a expressão bastante feliz e achei apropriado já apresentá-la para o pessoal.

Os dias se passaram agradavelmente quentes, já eram quase dezessete horas e um grupo de advogadas estavam comendo em uma mesa perto do balcão onde eu estava, quando uma deusa de salto alto, vestido preto colado ao corpo, um casaquinho preto e cabelo castanhos soltos, que até agora não entendi se tendem para o loiro ou para o ruivo, se aproximou de mim, vocês sabem como homem é besta, não podemos ver uma deusa na nossa frente que tudo para. E eu estava lá de boca aberta quando ela disse:

– Oi, chefe, tudo bem? – e eu respondi com uma pergunta:

– Flor?

Algo inimaginável aconteceu, uma das advogadas se levantou e disse:

– O que você está fazendo? Está assediando ela?

A deusa se virou para a advogada e disse:

– Calma, linda… meu nome é Maria Flor, está tudo bem. Não precisa estressar.

– Desculpe, é que é minha área e eu pesei que estavam te desrespeitando.

– Tudo bem, não precisa de se preocupar. – respondeu minha nova funcionária.

Com tudo esclarecido, pedi para que ela sentasse num banquinho alto na minha frente, peguei uma xícara e servi chá para ela, conversamos assuntos aleatórios, até que “nossas amigas do Direito” foram embora, e eu pude dizer:

– Pessoal enxerido é fogo, não é?! Puxa, eu não te reconheci… você está linda!

– Nada chefe, para com isso!

– Tudo bem, você quer mais chá?

– Não, obrigada.

– Ok, é o seguinte, o Malvino é o segurança, ele já vai colocar o púlpito na entrada do bar… e então você vai poder orientar as pessoas, alguma dúvida?

– Creio que não, se tiver eu pergunto.

– Pode perguntar para mim ou para os rapazes, aliás, vamos dar uma volta no bar.

Mostrei a cozinha com suas câmeras frias, o depósito com os barris, garrafas e caixas de insumos… e finalmente o escritório que fica na parte superior do bar, porque ele é sobrado na esquina.

Como hoje é segunda-feira, foi tranquilo… isso foi bom porque ela criou um mapa com todas as mesas do bar e colocou esse mapa sob o vidro do púlpito. Então ela poderá saber das mesas ocupadas.

Alguns dias depois, eu percebi que começou a vir um pessoal um pouco mais sofisticado, que não bebiam só cerveja ou chopp… e depois fiquei sabendo que a Maria Flor contou do Bar Uky para vários clientes do seu antigo trabalho, e eles começaram a frequentar o seu novo local… achei apropriado criar um cardápio da noite, para eles não se sentirem tão órfãos da antiga casa. Fazer isso foi bom, porque quase todas as noites se toraram um Happy Hour, todos os garçons ficaram mais felizes porque ganhavam mais gorjetas, o faturamento aumentou. E foi apropriado dar um aumento de salário para Maria.

Foto gerada por IA

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